SIGNIFICADO DA VIDA

Publicado 24 de fevereiro de 2010 por nhamunda
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Você já se perguntou qual o significado da sua vida? Para que você vive, trabalha, corre tanto, educa filhos, estuda, e tantas outras coisas?

Crédito da Imagem. Waldenrique Moura. Todos os direitos reservados.

Muitos de nós pouco paramos para pensar nessas coisas. Ou por falta de hábito ou por imaginar que não vale a pena parar para pensar nessas questões, e apenas vamos seguindo.

Seguimos buscando saciar necessidades básicas, preocupados com o comer, o dormir, o sustento próprio e o sustento dos seus, como se cada vida tivesse apenas um significado fisiológico e nada mais.

Vivendo assim, qual a diferença que haverá entre nossa vida e a vida dos irracionais?

Eles também se preocupam com essas questões.

A vida é valiosa demais para se restringir somente ao que diz respeito ao corpo, às necessidades do corpo ou aos prazeres a ele vinculado.

Como temos uma natureza espiritual, há a necessidade de se buscar um significado para a vida, que diga respeito também às questões da alma.

Não somos feitos somente de um corpo físico. Habitamos um corpo físico a fim de levar a cabo nossa experiência terrena.

Nossa alma preexistia antes do nosso corpo ser formado no ventre materno, assim como continuará a existir após o processo da morte desse corpo.

Assim, durante esse período em que estamos aqui em nosso planeta, vivenciando mais uma vez a experiência de estarmos reencarnados, não podemos esquecer nossa essência, sob pena de imputarmos, a nós mesmos, dificuldades maiores.

Quando os momentos de decisões graves na vida se fizerem, quando os dias de desafios chegarem, antes de optar por algum caminho, antes de definir ações, levemos em consideração as coisas da alma.

Jamais pautemos nossa vida somente pelas coisas que brilham aos olhos, esquecendo das que falam à alma.

Em um mundo onde as preocupações do ter muitas vezes são maiores do que as do ser, é necessário refletir qual efetivamente é o significado de estar vivendo, de estar reencarnado.

Jesus nos alerta a respeito, recomendando não nos preocuparmos com juntar tesouros que a ferrugem corrói, ladrões levam ou traças comem mas, sim, buscar tesouros que possamos guardar na intimidade do coração.

*   *   *

Quais os valores que elegemos para nossa vida?

A resposta a essa pergunta dirá qual o significado que damos a ela.

É sabedoria pautar a vida com a ponderação de quem sabe que está no mundo, porém a ele não pertence, posto que a morte nos levará de retorno à verdadeira pátria, o mundo espiritual.

Desta forma, vigiemos as fontes do nosso coração, para que lá possamos encontrar valores e estruturas para alimentar e cuidar não somente do corpo físico, mas sobretudo da alma, fonte verdadeira da vida.

Texto publicado conforme autorização por escrito do Momento espírita.

Lison Costa.

A VOZ E O SILÊNCIO

Publicado 22 de fevereiro de 2010 por nhamunda
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Aumenta volumosamente a balbúrdia no mundo.

Não há respeito pelo silêncio.

As pessoas perderam o tom de equilíbrio nas conversações, nos momentos de júbilo, nas comunicações fraternais.

Crédito da Imagem. Sandra Cappuccio. Todos os direitos reservados.

Grita-se, quando se deveria falar, produzindo uma competição de ruídos e de vozes que perturbam o discernimento e retiram a harmonia interior.

As músicas deixam, a pouco e pouco, de ser harmônicas para se apresentarem ruidosas, sem nenhum sentido estético, expressando os conflitos e as desordens emocionais dos seus autores.

Cada qual, por isso mesmo, impõe o volume da sua voz, dos ruídos do lar, das comunicações e divertimentos através dos rádios e das televisões.

Há um predomínio da violência em tudo, nos sentimentos, nas conversações, nas atividades do dia a dia.

Há demasiado ruído no mundo, atormentando as criaturas.

*   *   *

A voz é instrumento delicado e de alta importância na existência humana.

Sendo o único animal que consegue articular palavras, o ser humano deve utilizar-se do aparelho fônico na condição de instrumento precioso, e de cujo uso dará contas à Consciência Cósmica que lhe concedeu admirável tesouro.

Jesus, o Sublime Comunicador, cuja dúlcida voz inebriava de harmonia as multidões, viveu cercado sempre pelas massas.

Sofreu-as, compadeceu-Se delas, mas não Se deixou aturdir pela sua insânia e necessidade.

Logo depois de as atender, recolhia-Se ao silêncio, fugindo do bulício, a fim de penetrar-Se mais pelo amor do Pai, renovando os sentimentos de misericórdia e de compreensão.

Procedia dessa forma, a fim de que o cansaço, que surge na balbúrdia, não lhe retirasse a ternura das palavras e das ações.

*   *   *

Necessitas, sim, de silêncio interior, para melhores reflexões e programações dignificantes em qualquer área do comportamento em que te encontres.

Aprende a calar e a meditar, a harmonizar-te e a não perder a seriedade na multidão desarvorada e falante.

Os grandes sábios do Cosmos sempre souberam silenciar.

Silenciar em oração perante as necessidades do outro. Silenciar em respeito ao sofrimento alheio.

Silenciar em consideração às idéias divergentes. Silenciar a vingança diante dos males recebidos.

É no mundo do silêncio que construímos as palavras edificantes que sairão de nossa boca.

É no mundo sem voz que elaboramos o canto que logo mais irá encantar ouvintes numa sala de concertos.

É no mundo do silêncio que embalamos nossos amores, que pensamos em melhorar, reformar e transformar.

Assim, saibamos dosar o silêncio em nossas vidas, evitando que a balbúrdia e a loucura se instalem.

Saibamos usar a voz com cuidado, a cada pronunciar de palavra, assim como o concertista o faz na interpretação de uma ópera.

A música elevada, assim como a vida, é feita de som, mas também de silêncio.

Texto publicado conforme autorização por escrito do Momento Espírita.

Lison Costa.

AUTOCRIAÇÃO INDEFINIDA

Publicado 18 de fevereiro de 2010 por nhamunda
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Por Pedro J. Bondaczuk

A nossa vida, do berço à tumba, mesmo que não venhamos a nos dar conta, é um permanente e contínuo processo de criação. Ou, para ser mais exato, é ininterrupta autocriação. Seremos o que conseguirmos fazer de nós: santos ou demônios, poetas ou artesãos, filósofos ou cientistas, milionários ou mendigos etc.etc.etc.

Crédito da Imagem. Amanda Midori. Todos os direitos reservados.

Claro que teremos que levar em conta, como destacou o filósofo espanhol, José Ortega y Gasset, as nossas “circunstâncias”. Alguns conseguem adaptar-se a elas, quando benignas, ou modificá-las, se aziagas, e construir vidas exemplares e admiráveis. Outros (diria a maioria)… Deixam-se esmagar por elas e criam figuras caricatas, patéticas, ridículas e sofredoras, dignas de pena e jamais de admiração.

O processo de autocriação caracteriza-se por contínuas e sucessivas mudanças. Algumas são completas, radicais e incisivas. Outras, são parciais, muitas vezes imperceptíveis (afinal, ninguém muda o que vem dando certo, embora possa e deva aperfeiçoá-lo). Mas autocriar-se significa sempre mudar, mudar e mudar.

Quanto às mudanças físicas, creio que sequer é necessário tecer maiores considerações, tão óbvias que elas são. Se você já tiver vivido, digamos, cinqüenta anos, faça a seguinte experiência: pegue alguma foto sua, quando você tinha, por exemplo, cinco anos de idade e compare-a com outra recente, tirada há alguns dias. Provavelmente não se reconhecerá, tantas foram as mudanças ocorridas na sua aparência. O tempo é implacável e deixa marcas em nosso corpo, algumas discretas e outras arrasadoras, dependendo do quanto você cuidou da sua saúde.

Se você era cabeludo, possivelmente estará calvo, agora, ou com grandes entradas nos cabelos. Se enxergava perfeitamente, poderá estar usando óculos de grau, para a correção de alguma miopia ou de astigmatismo ou sabe-se lá o quê. Se tinha dentes saudáveis, pode ser que use dentadura e assim por diante.

Essas são mudanças que ocorrem à sua revelia. Pouco, ou nada, você pode fazer para evitá-las. Pode, no máximo, retardar e, mesmo assim, não por muito tempo, esse desgaste. As mudanças serão mais suaves ou severas, de acordo com as circunstâncias que enfrentar.

Já as alterações psicológicas que você, certamente, terá, tenderão a ser mais profundas, radicais até, quem sabe. Nesse seu processo de autocriação, muitos dos seus ideais mais caros da juventude, por exemplo, ficarão pelo caminho. Outros tantos poderão (ou não) ser adquiridos. Dependerá de você e dos valores que você cultivar. Muitos não cultivam nenhum e descambam para a violência e a marginalidade.

Dificilmente, porém, você irá raciocinar da mesma forma que o fazia já nem digo na infância, mas na adolescência e início do que se convencionou chamar de “maturidade”. Certamente, todavia, não vai encarar o mundo e a vida de idêntica maneira.

Se souber cultivar idéias positivas, é provável que os encare como bênção, dádiva, privilégio. Se, em contrapartida, apostar no negativo, irá encará-los como castigo, como punição, como o autêntico inferno, tão propalado (e fantasiado) por várias religiões.

Nesse aspecto, sim, sua interferência nesse processo de mudança será fundamental, se não decisiva. A opção será sua. Claro que terá que se haver com suas circunstâncias (todos têm). Se estas forem desfavoráveis, mas você tiver força mental e moral para modificá-las, ainda assim se sentirá realizado e feliz. E esses sentimentos de realização e felicidade serão mais gratos quanto maiores e mais severos forem os obstáculos que você transpuser. Caso se entregue, porém, ao desalento e à depressão, terminará, fatalmente, seus dias sobre a Terra descrente, amargurado e frustrado.

E, se suas circunstâncias forem benignas, favoráveis e positivas? Neste caso, compete-lhe aproveitar todas as oportunidades (cada uma delas, sem exceção) que surgirem em seu caminho, para se realizar enquanto profissional e, principalmente, enquanto pessoa. Muitos não aproveitam e têm, na velhice, o desprazer de ver a maré virar.

Da minha parte, acho fascinante este processo de autocriação. Fico, a cada instante, indagando: Qual “Pedro” irá emergir, após tantas e tão profundas mudanças? Não tenho a mais pálida idéia (ninguém a tem) quanto ao resultado final.

Essa é uma constatação que ficará a cargo da posteridade, caso me enquadre em algum dos extremos (só eles são dignos de registro): vencedor ou fracassado. Compete-me fazer, da melhor maneira, a minha parte, aproveitar ou transformar minhas “circunstâncias” e deixar a constatação do “produto final” por conta dos que me sucederem. Não há outra alternativa.

Pedro J. Bondaczuk é jornalista e escritor, autor do livro “Por Uma Nova Utopia”

Texto publicado conforme autorização por escrito do Site Planeta News.

Postado Por Lison Costa.

O CÁLICE DAS PÉROLAS

Publicado 11 de fevereiro de 2010 por nhamunda
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Era uma vez… As histórias maravilhosas começam assim. Não importa o tamanho delas. Se começam por era uma vez, são sempre maravilhosas.

Pois era uma vez um homem. Um homem pobre que de precioso só tinha um cálice.

Crédito da Imagem. Antiquité Tardive. Todos os direitos reservados.

Nele, ele bebia a água do riacho que passava próximo à sua casa. Nele, bebia leite, quando o conseguia, em troca de algum trabalho.

Era pobre, mas feliz. Feliz com sua esposa, que o amava. Feliz em sua pequena casa, que o sol abraçava nos dias quentes, tornando-a semelhante a um forno.

Feliz com a árvore nos fundos do terreno, onde escapava da canícula.

Saía pelas manhãs em busca de algum trabalho que lhe garantisse o alimento a ele e à esposa, a cada dia.

Assim transcorria a vida, em calma e felicidade. Nas tardes mornas, quando retornava ao lar, era sempre recebido com muita alegria.

Era um homem feliz. Trazia o coração em paz, sem maiores vôos de ambição.

Então, um dia… Sempre há um dia em que as coisas acontecem e mudam o rumo da História.

Pois, nesse dia, nem ele mesmo sabendo o porquê, uma lágrima caiu de seus olhos, dentro do cálice.

Crédito da Imagem. Marie Acessórios. Todos os direitos reservados.


De imediato, o homem ouviu um pequeno ruído, como de algo sólido, que bateu no fundo do recipiente.

Olhou e recolheu entre os dedos uma pérola. Sua lágrima se transformara em uma pérola.

Então, o homem pensou que poderia ficar muito rico se chorasse bastante.

Como não tinha motivos para chorar, ele começou a criá-los. Precisava se tornar uma pessoa triste, chorosa, para enriquecer.

Com o dinheiro da venda das pérolas pensava comprar lindas roupas para sua esposa, uma casa mais confortável, propriedades, um carro.

E assim foi. Ele começou a buscar motivos para ficar triste e para chorar muito.

Conseguiu muitas riquezas. Ele poderia tornar a ser feliz. No entanto, desejava mais.

As pequenas coisas que antes lhe ofertavam alegrias, agora, de nada valiam.

Que lhe importava o raio de sol para se aquecer no inverno? Com dinheiro, ele mandou colocar calefação interna em toda sua residência.

Por que aguardar os ventos generosos para arrefecer o calor nos dias de verão? Com dinheiro, ele pediu para ser instalado ar condicionado em toda a sua casa.

E no carro, e no escritório que adquiriu para gerir os negócios que o dinheiro gerara.

E a tristeza sempre precisava ser maior. Do tamanho da ambição que o dominava.

Nunca era o bastante. Os afagos da esposa, no final do dia e nos amanheceres de luz deixaram de ser imprescindíveis.

Ele não podia perder tempo. Precisava chorar. Precisava descobrir fórmulas de ficar mais triste e derramar mais lágrimas.

Finalmente, quando o homem se deu conta, estava sem esposa, sem amigos. Só… Com seu dinheiro, toda sua imensa fortuna.

Chorando agora, estava tão desolado, que nem mais se importava em despejar o dique das lágrimas no cálice.

A depressão tomara conta dele e nada mais tinha significado.

A história parece um conto de fadas. Mas nos leva a nos perguntarmos quantas vezes desprezamos os tesouros que temos, indo à cata de riquezas efêmeras.

Pensemos nisso e não desperdicemos os valores verdadeiros de que dispomos. Nem pensemos em trocá-los por posses exageradas.

A tudo confiramos o devido valor, jamais perdendo nossa alegria.

Haveres conquistados à troca de infelicidade somente geram infelicidade.

Pensemos nisso!

Texto publicado conforme autorização por escrito do Momento Espírita.

Postado por LISON COSTA.

JANELAS PARA A VIDA

Publicado 10 de fevereiro de 2010 por nhamunda
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Por Pedro J. Bondaczuka.

Os poetas dizem, do alto da sua sensibilidade, que “os olhos são as janelas da alma”. Embora pareça mero clichê, trata-se, no entanto, de feliz metáfora, de óbvia verdade da qual nem sempre nos conscientizamos. São estes instrumentos, sempre aos pares, que nos permitem conhecer o belo e o feio. São eles que informam o cérebro sobre as formas, as cores, as tonalidades, o tamanho, a profundidade etc.etc.etc. de tudo e de todos. São, pois, as mais úteis ferramentas do conhecimento. Alimentam o cérebro de informações, fornecem à razão a matéria-prima para a tomada da consciência do mundo e das decisões que nos garantam a sobrevivência e fomentam a geração de idéias. Não é nenhum exagero, pois, afirmar que os olhos são “janelas para a vida”.

Este preâmbulo vem a propósito de memorável sermão do Padre Antônio Vieira (como, ademais, todos os de sua lavra o são), que tenho, agora, à minha frente e sobre cujo conteúdo convido o paciente leitor a refletir comigo.

O incomparável pregador – e um dos maiores estilistas, se não o maior, da língua portuguesa – inicia a prédica em questão com as seguintes exclamações: “Notável criatura são os olhos! Admirável instrumento da Natureza; prodigioso artifício da Providência!”. Não se limita, porém, a louvar a utilidade desse nobre sentido. De imediato, aponta, não só suas vantagens, mas, também, os perigos a que ele nos expõe. Por que essa admiração, esclarecido leitor?

Creio que o pregador tira, a seguir, suas dúvidas (ou as aumenta, sei lá) ao acentuar: “Eles (os olhos) são a primeira origem da culpa; eles a primeira fonte da graça. São os olhos duas víboras, metidas em duas covas, e que a tentação pôs o veneno e a contrição a triaga”. Triaga, para que você entenda a metáfora, é uma espécie de xarope medicamentoso, muito utilizado nos tempos que Vieira viveu. Não ficou convencido ainda? Reproduzo mais um trecho do sermão: “São duas setas (os olhos) com que o Demônio se arma para nos ferir e perder; e são dois escudos com que Deus depois de feridos nos repara para nos salavar”.

Crédito da Imagem. AJPAC1980. Todos os Direitos reservados.

Qual a razão do padre entender que os olhos são a primeira origem de culpa? Simples! Porque é através deles que nos sentimos tentados a fazer o que não devemos (como cobiçar uma bela mulher que não possamos, por razões morais, conquistar, por exemplo. Ou a desejar tomar posse, indevidamente, do que nos agrade, mas não nos pertença. Ou a cometer tantas e tantas outras violações da moral). Os olhos, o leitor há de convir, são a principal porta de entrada de todas as tentações que nos vão na alma.

São, porém, igualmente, fontes primitivas da graça. Colocam-nos face à beleza, à grandeza e à transcendência. São a “triaga” salvadora para nos prevenir da corrupção e do erro. Vieira, todavia, vislumbra outra função para essas “janelas da vida”. Lembra: “Todos os sentidos do homem têm um só ofício; só os olhos têm dois. O ouvido ouve, o gosto gosta, o olfato cheira, o tato apalpa, só os olhos têm dois ofícios: ver e chorar”.

As lágrimas! Quão misteriosas (e benignas) são! Frutos de profundas emoções, quer positivas, quer negativas (afinal, choramos tanto de alegria, quanto de tristeza), são uma espécie de válvula de escape de extremas tensões provocadas pelos sentimentos, protegendo o sistema nervoso e evitando colapso completo de todo o organismo. São, portanto, um bem, em qualquer das situações (quer nas incontidas alegrias, quer nas extremas tristezas). Mas Vieira ainda não se contenta. Torna a questionar.

Indaga: “Ninguém haverá (se tem entendimento) que não deseje saber: por que ajuntou a natureza no mesmo instrumento as lágrimas e a vista; e por que uniu a mesma potência o ofício de chorar, e o de ver?”. Sim, por que esse capricho? Por que as lágrimas, por exemplo, não são causadas pelo tato, ou pelo paladar, ou pela audição ou pelo olfato? A razão é óbvia, mas teimamos, em nossa mania de complicar tudo, em ignorar exatamente o que é mais evidente e lógico.

Vieira comenta, com sua irretorquível lógica: “O ver é a ação mais alegre; o chorar a mais triste. Sem ver, como dizia Tobias, não há gosto, porque o sabor de todos os gostos é ver; pelo contrário, o chorar é o estilado da dor, o sangue da alma, a tinta do coração, o fel da vida, o líquido do sentimento”. As metáforas do pregador, como se observa, são de rara beleza, mas ele ainda não respondeu à questão que propôs.

Contudo, esse sábio orador nunca deixou seus fiéis ouvintes na mão. Por isso, nos dá a resposta à própria indagação (e à dos que “têm entendimento”) nestas palavras claras, incontestáveis e de enorme sapiência: “Por que ajuntou logo a natureza nos mesmos olhos dois efeitos tão contrários, ver e chorar? A razão e a experiência é esta. Ajuntou a natureza a vista e as lágrimas porque as lágrimas são a conseqüência da vista; ajuntou a Providência o chorar com o ver, porque o ver é a causa do chorar”. E conclui: “Sabeis por que choram os olhos? Porque vêem”. Simples assim! E é preciso explicar mais alguma coisa?!

Pedro J. Bondaczuk é jornalista e escritor, autor do livro “Por Uma Nova Utopia”

Texto publicado conforme autorização por escrito do Site Planeta News.

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Postado por Lison Costa.

A MÃO DE DEUS

Publicado 6 de fevereiro de 2010 por nhamunda
Categorias: reflexão

Conta-se que o conquistador mongol Genghis-Khan tinha como animal de estimação um falcão. Com ele saía a caçar. Era seu amigo inseparável.

Crédito da Imagem. Wang Yanju. Todos os direitos reservados.

Certo dia, em uma das suas jornadas, com o falcão como companhia, sentiu muita sede. Aproximou-se de um rochedo de onde um filete de água límpida brotava.

Tomou da sua taça, encheu até a borda e levou aos lábios. No mesmo instante, o falcão se jogou contra a taça e o líquido precioso caiu ao chão.

Genghis-Khan ficou muito irritado. Levou a taça novamente até o filete de água e tornou a encher. De novo, antes que ele pudesse beber uma gota sequer, o falcão investiu contra sua mão, fazendo com que caísse ao chão a taça e se perdesse a água.

Desta vez o impiedoso conquistador olhou para a ave e falou:

Vou tornar a encher a taça. Se você a derrubar outra vez, impedindo que eu beba, você perderá a vida.

Na mão direita segurando a espada mongol, com a esquerda ele tornou a colocar a taça debaixo do filete de água e a encheu.

No exato momento que a levava aos lábios, o falcão voou rápido e a derrubou.

Ágil como ele só, Genghis-Khan utilizou a espada e, em pleno ar, decepou a cabeça do falcão, que lhe caiu morto aos pés.

Ainda com raiva, ele chutou longe o corpo do animal.

E porque a taça se tivesse quebrado na terceira queda, ele subiu pelas pedras para beber do ponto mais alto do rochedo, no que imaginou fosse a nascente da fonte.

Para sua surpresa, descobriu presa entre as pedras, bem no meio da nascente, uma enorme cobra venenosa. O animal estava morto há tempo, com certeza, porque mostrava sinais de decomposição. O cheiro era insuportável.

Nesse instante, e somente então, o grande conquistador se deu conta de que o que o falcão fizera, por três vezes, fora lhe salvar a vida, pois se bebesse daquela água contaminada, poderia adoecer e morrer.

Tardiamente, lamentou o gesto impensado que o levara a matar o animal, seu amigo.

*   *   *

Assim muitas vezes somos nós. A Providência Divina estabelece formas de auxílio para nós e não as entendemos. Pelo contrário, nos rebelamos.

Por vezes, a presença de Deus em nossas vidas se faz através dos sábios conselhos de amigos. Contudo, quando eles vêm nos falar de como seria mais prudente agirmos nessa ou naquela circunstância, nos irritamos. E podemos chegar a romper velhas amizades.

De outras vezes, Deus estabelece que algo que desejamos intensamente, não se concretize. Algo que almejamos: um concurso, uma viagem, um prêmio, uma festa, um determinado emprego. É o suficiente para que gritemos contra o Pai, nos dizendo abandonados, esquecidos do Seu apoio.

Raras vezes paramos para pensar e analisar sobre o que nos está acontecendo. Quase nunca paramos para nos perguntar: Não será a mão de Deus agindo, para me dizer que este não é o melhor caminho para mim?

Nada ocorre ao acaso. Tudo tem uma razão de ser. Você nunca se deu conta que um engarrafamento que o detém no trânsito por alguns preciosos minutos, pode lhe impedir de ser participante de um acidente mais adiante?

Um contratempo à saída de casa, que lhe retarde a tomada do ônibus no momento que você planejava, pode ser a mão de Deus interferindo para que você não se sirva daquela condução, para não estar presente no acidente que logo acontece.

Providência Divina. Esteja atento. Busque entender as pequenas mensagens que Deus lhe envia todas as horas.

E não se irrite. Não se altere. Agradeça. A mão de Deus está agindo em seu favor, em todos os momentos, todos os dias.

Texto publicado conforme autorização por escrito do Momento Espírita.

LISON COSTA.

HEROÍSMO E VALORES

Publicado 2 de fevereiro de 2010 por nhamunda
Categorias: Uncategorized

São heróis anônimos de todos os dias. Mereceriam ser condecorados, pelo amor ao semelhante que demonstram, arriscando suas próprias vidas.

Vez ou outra, quando um deles realiza um ato tido como heroico e é filmado, recebe homenagens.

Crédito da Imagem. Firefighter. Todos os direitos reservados.

No entanto, eles arriscam suas vidas todos os dias, adentrando em meio às chamas, à fumaça, para retirar crianças, velhos, adultos de situações de risco. Dominam alturas ou descem a baixadas, entram em túneis, tudo em nome do amor.

Sim, porque alguém que assim procede, arriscando-se todos os dias, não pode simplesmente fazê-lo pelo salário que recebe. Necessita, e muito, amar a sua profissão e as pessoas.

São criaturas sensíveis que, vez ou outra, realizam partos de emergência e se emocionam.

São homens que enfrentam o perigo para salvar vidas e quando resgatam crianças, bebês, as levam ao colo, como se fossem seus próprios filhos.

São os heroicos bombeiros.

Recordamos que, em 5 de janeiro de 1996, um bombeiro americano em busca de sobreviventes, em um apartamento, encontrou a morte em meio às chamas.

Ele tinha apenas 38 anos e sua esposa estava grávida do terceiro filho. Filho que ela daria à luz no mês seguinte.

Jimmy Williams era um homem de 1 metro e 92 e realizava sua tarefa com amor. Tinha formas interessantes de enfrentar o perigo.

Chamava um incêndio de um passeio na fumaça e brincava com o tamanho dos demais colegas, dizendo que os oficiais de resgate estavam cada vez menores.

Para o seu funeral, um outro bombeiro escreveu um poema que traduzia exatamente o pensamento de Jimmy:

Irmão, quando chorares por mim lembra-te de que tinha de ser assim.

Enterra-me antes de ir embora. E lembra-te de que estarei contigo a toda hora. E enquanto enxugas os olhos tem em mente todos os anos que passei prazerosamente.

E por haver realizado o trabalho que amava tanto, rezo para que essa certeza te alivie o pranto.

*   *   *

Jesus afirmava que não havia maior amor do que o do amigo que dá a vida por seu amigo.

Que se poderá dizer desses seres extraordinários que arriscam a sua vida para salvar uma vida ou muitas vidas?

Vidas de criaturas que eles não conhecem, jamais viram ou ouviram falar.

Jesus também afirmou que aquele que desejar salvar sua vida, perdê-la-á e aquele que a perder, salva-la-á.

Os bombeiros são, sem sombra de dúvida, lições vivas de doação de si mesmo, por amor aos seus irmãos.

Quando orarmos, no altar do nosso coração, pelos amigos, pelos amores, recordemos de envolver em vibrações de gratidão esses homens, soldados do fogo, devotados servidores do bem.

Oremos por eles, por suas famílias, esposa, mãe, filhos. Seja esse o nosso preito de gratidão por tanta dedicação.

Texto publicado conforme autorização por escrito do Momento Espírita.

LISON COSTA.