FALANDO DE INGRATIDÃO

É comum se ouvir falar de ingratidão. Amigos que depois de terem privado da maior intimidade, se voltam violentos, desejando destruir. Basta uma pequena contrariedade, uma questão política, um diverso ponto de vista religioso. Eis formada a querela. O distanciamento.

Crédito da Imagem. Carolxenhaa. Todos os direitos reservados.

Esquece-se de todos os benefícios recebidos. Dos abraços, das promessas, das alegrias repartidas e vividas em conjunto.

Esse tipo de comportamento demonstra como o homem, embora se diga humano, muito necessita crescer para se considerar como verdadeiro participante da Humanidade.

Recordamos de uma antiga lenda judia que fala de um homem condenado à morte e que ia ser apedrejado.

Os carrascos lhe jogaram grandes pedras. O réu suportou o terrível castigo em silêncio. Nenhum grito. Na sua condição, compreendia que a desgraça havia caído sobre ele e que seus gritos de nada serviriam.

Passou por ali um homem que havia sido seu amigo. Pegou uma pequena pedra e atirou na direção do condenado. Somente para demonstrar que não era do seu partido.

O pobre condenado, atingido pela diminuta pedra, deu um grito estridente.

O rei, que a tudo assistia, ordenou que um de seus lacaios perguntasse ao réu porque ele gritara quando atingido pela pequena pedra, depois de haver suportado sem se perturbar as grandes.

O condenado respondeu: As pedras grandes foram atiradas por homens que não me conhecem, por isso me calei. Mas o pequeno seixo foi jogado por um homem que foi meu companheiro e amigo. Por isso gritei.

Lembrei de sua amizade nos tempos de minha felicidade. E agora vi sua felicidade quando me encontro na desgraça.

O rei compadeceu-se e ordenou que o pusessem em liberdade, dizendo que mais culpado do que ele era aquele que abandonava o amigo na desgraça.

A lenda nos dá a nota de quanto dói a ingratidão de um amigo. Naturalmente, quanto mais estimamos e confiamos em alguém, mais nos atormentará a sua traição. A sua ingratidão.

É importante pois que examinemos nossas próprias ações, observando se não somos ingratos. Em especial com aqueles que estenderam a preciosidade da sua amizade, por longos e longos anos.

Não sejam as notas distantes de algumas rusgas que nos permitam agredir, de forma cruel, os que ontem nos sustentaram nas lutas.

Soubemos, há poucos dias, de uma aluna que, depois de ter recebido do seu mestre todo o apoio, em forma de ensino, livros, oportunidades de estágio, decidiu estabelecer uma questão judicial.

Esquecida dos tantos benefícios, das longas horas de dedicação do antigo mestre, depois de um desentendimento em que se sentiu lesada, resolveu requerer vultosa quantia como pagamento pelas horas de trabalho ao lado dele.

Olvidou o aprendizado, do quanto lhe devia por sua própria formação profissional. E mais: de quantas portas, graças à fama dele e experiência, se haviam aberto para ela.

Ingratidão. Sentimento que somente floresce nos corações enfermiços.

Moléstia do caráter que requer o remédio da compaixão.

*   *   *

Se alguém te retribui com a ingratidão o bem que doaste, não te entristeças.

É melhor receber a ingratidão do que exercê-la em relação ao próximo.

E se teu problema for de ingratidão dos filhos, guarda piedade para com eles e dá-lhes mais amor…

Porque a ingratidão dos filhos para com os pais é dos mais graves enganos que se pode permitir ao Espírito, em sua marcha evolutiva.

Texto publicado conforme autorização por escrito do Momento Espírita.

LISON.

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14 Comentários em “FALANDO DE INGRATIDÃO”


  1. Que post magnífico amigo , a ingratidão é uma forma de fraqueza. Jamais conheci homem de valor que fosse ingrato.
    Ninguém precisa de falsos amigos ou daqueles que ficam por perto apenas quando as coisas estão indo às mil maravilhas.
    “A ingratidão é um certificado que damos a nós mesmo de que não temos nada de bom dentro da gente para dar ao próximo, nem mesmo somos capaz de reconhecer o bem que nos fizeram!(Mariluci Carvalho)”
    Abraços forte


  2. Meu amigo, LISON, obrigado por me permitir ler tão maravilhoso texto. Enquanto lia, me vi diante de algumas ingratidões que sofri, e, realmente, os ingratos são dignos de pena, porque a ignorância ainda impera nas suas almas, assim como Jesus disse aos seu algozes no calvário, Pai, perdoai-lhes porque eles não sabem o que fazem, devemos lembrá-lo nos momentos em que a ingratidão bate em nossos corações.
    Um abraço
    JOão

  3. José Aparecido Says:

    Lindo texto
    A ingratidão é algoindescritível

  4. Valéria Says:

    Lison… que maravilhoso ensinamento de vida. Vejo a ingratidão como a incapacidade de reconhecer a necessidade do apoio alheio.
    O mundo dá voltas, e nestas voltas ele mesmo se encarrega de ensinar as pessoas ingratas.
    Por isso concordo que se alguém for ingrato com a gente, deixemos que a vida se encarregue de lhe cobrar!
    Beijo no coração

  5. Luísa Says:

    Olá Lison,

    Maravilhoso este texto, meu amigo. Faz-nos reflectir acerca de nós próprios e da nossa incapacidade de agradecer, no momento e na hora certa.

    Também acredito que quem é ingrato, a vida se encarregará de lhe cobrar.

    Abraços
    Luísa

  6. Joselito Says:

    Grande Lison, realmente a ingratidão, provavelmente seja um dos piores defeitos do ser humano.

  7. Nakamura Says:

    Lison

    Texto maravilhoso
    faz a gente refletir.
    Penso que quem é ingrato lá na frente terá uma surpresa.

    beijos

  8. Sérgio Says:

    Olá Lison,
    Ser diminuto por quem não conhecemos é doloroso, mas até compreensível, mas quando provêm de alguém que estimamos a dor é indescritível.

    Um forte abraço!

  9. Leila Franca Says:

    Olá Lison,

    Artigo muito correto e sensato. É assim mesmo que acontece. Eu sou uma que sofreu ingratidão por parte de alguém bem próximo. É muito doloroso. Mas o que se há de fazer? Somente espero que eu não seja capaz de fazer o mesmo com ninguém.

    bjs

  10. Janilton Says:

    Amigo Lison,

    As decepções oriundas da ingratidão não serão de molde a endurecer o coração e a fechá-lo à sensibilidade. Porquanto o homem de coração, como dizes, se sente sempre feliz pelo bem que faz. Sabe que, se esse bem for esquecido nesta vida, será lembrado em outra e que o ingrato se envergonhará e terá remorsos da sua ingratidão. Mas, isso não impede que se lhe ulcere o coração. Ora, poderá nascer-lhe a idéia de que seria mais feliz, se fosse menos sensível, se preferir a felicidade do egoísta. Triste felicidade essa! Lastimai os que usam para convosco de um procedimento que não tenhais merecido, pois bem triste se lhes apresentará o reverso da medalha. Não vos aflijais, porém, com isso: será o meio de vos colocardes acima deles.

    A Natureza deu ao homem a necessidade de amar e de ser amado. Um dos maiores gozos que lhe são concedidos na Terra é o de encontrar corações que com o seu simpatizem. Dá-lhe ela, assim, as primícias da felicidade que o aguarda no mundo dos Espíritos perfeitos, onde tudo é amor e benignidade. Desse gozo está excluído o egoísta.

    Parabéns pelo texto.

    Abraços!

  11. Geraldo Says:

    Amigo Lison,

    A ingratidão dos amigos são como dardos no nosso coração, este artigo é uma benção para pensar nas nossas relações com aqueles que privam de nossa amizade.

    Abraço

  12. Kacal Says:

    ótimo texto!

    Há duas frases que usarei como exemplo:

    1)”Um amigo ingrato,falso e maldoso é mais temível que um animal selvagem; o animal pode ferir seu corpo, mas a ingratidão de um amigo irá ferir sua alma”.

    ( frase usada por Buda)

    2)”A ingratidão consiste em esquecer, desconhecer ou reconhecer mal os benefícios, e se origina da insensibilidade, do orgulho ou do interesse.”

    ( Charles Pinot Duclos )

    Um abraço,kacal.

  13. Jânio Says:

    Olá Lisonn.

    Uma bela lição, esse texto nos apresenta.

    Só lembramos que todos nós erramos às vezes, o problema se complica quando o erro se revela, como no texto, uma traição.

    Traição implica em covardia, covardia é o único erro que, na minha modesta opinião, não tem perdão. Por exemplo: è muito bom ver um bandido apanhando de sua vítima, mas se as vítimas são covardes, então, certamente, o bandido merece perdão, como no texto.

    ABS

  14. Luis Pereira Says:

    Amigo Lison,
    Parabéns, belo post, traduz totalmente o sentimento e aconselha nosso coração como agir.
    Obrigado!
    Abraços


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